Para as empresas da cadeia da borracha, o novo sistema tributário exigirá uma revisão profunda dos modelos de negócio, contratos, estratégias logísticas e estruturas de suprimentos. A avaliação foi feita por Eduardo Pereira da Silva Jr., advogado da Correa Porto Sociedade de Advogados, durante palestra realizada na Arena do Conhecimento da Expobor e Pneushow 2026, no Expo Center Norte (SP). As feiras acontecem até esta quinta-feira, dia 25 de junho e são uma realização da Francal.
“A reforma tributária provoca uma verdadeira revisitação do modelo de negócios da empresa. Ela impacta contratos, cadeia de suprimentos, logística e estrutura operacional. No fim do dia, a principal pergunta que o empresário precisará responder é: minha empresa continuará competitiva sob a nova carga tributária?”, afirmou Silva Jr.
Muitas organizações ainda tratam a reforma apenas como uma questão fiscal, quando na realidade ela afeta diretamente decisões estratégicas e comerciais. “Não estamos falando apenas de tributos. Estamos falando de precificação, localização de operações, relacionamento com fornecedores, gestão de estoques e competitividade de mercado”, explicou o advogado, que alerto que os próximos meses serão decisivos para as empresas que desejam se preparar adequadamente para a transição.
O especialista destacou que a governança corporativa e o compliance fiscal ganharão ainda mais relevância no novo cenário e que a recuperação tributária será ferramenta para fortalecer o caixa das empresas durante o período de transição. Além disso, tratou da necessidade de reavaliar estruturas empresariais espalhadas por diferentes estados e que as empresas que iniciarem esse planejamento desde já terão vantagem competitiva na transição para o novo modelo tributário.
Felipe Agra, advogado da Rodrigues e Romêo Advogados, apresentou um panorama das mudanças previstas no sistema tributário nacional e seus impactos para a indústria. “Estamos vivendo um período de transição. Muitas empresas ainda acreditam que a reforma tributária está distante, mas a regulamentação já está em andamento e as decisões tomadas agora terão impacto direto na adaptação dos negócios nos próximos anos”, afirmou.
Para o advogado, embora a reforma tenha como objetivo simplificar o sistema tributário brasileiro, as empresas precisarão investir em adaptação tecnológica, revisão de processos e planejamento financeiro
Crescimento sustentável exige transparência e preparação antecipada da próxima geração
A governança corporativa deixou de ser uma prática restrita às grandes corporações e passou a ocupar papel estratégico na sustentabilidade e na longevidade das empresas familiares. “Quando bem estruturada, a governança contribui para a saúde da empresa e cria bases sólidas para seu crescimento sustentável”, afirmou Sheila Madrid Saad, sócia da Ricca Associados, em palestra na Arena do Conhecimento da Expobor e Pneushow 2026.
Segundo Saad, a adoção de práticas de governança traz benefícios que vão muito além do cumprimento de regras ou formalidades administrativas. “Empresas que possuem governança bem estruturada tendem a tomar decisões mais consistentes e enfrentar melhor os desafios do ambiente de negócios.”
A especialista ressaltou que a governança deve estar alinhada à estratégia empresarial e à cultura organizacional, funcionando como um mecanismo de direcionamento para toda a empresa e que é importante contar com um profissional preparado para conduzi-la ao próximo nível.
Arena do Conhecimento trata de temas técnicos e de inovação
Durante o segundo dia (24/6) da Expobor e Pneushow 2026 trouxe ainda a palestra de Eduardo Scarpelli, presidente da Câmara Setorial de Fabricantes de Vedações (CSVED) da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que mostrou que alta performance é o resultado de uma decisão estratégica consciente, fundamentada em método, dados e disciplina de execução. O processo tem início no diagnóstico das perdas por custos invisíveis, resultantes de retrabalho, paradas não planejadas, decisões tardias e reativas por carência de indicadores efetivos e dados fragmentados. A correção desses vilões está na efetividade da disponibilidade (OEE), no monitoramento do consumo energético por lote, identificação de desperdícios que destroem as margens, por exemplo.
Já Wilson Brandão, especialista técnico da Química Anastácio, apresentou inovações voltadas para aumentar a eficiência dos processos industriais e reduzir riscos operacionais na fabricação de artefatos de borracha. Uma solução baseada em óleo negro naftênico foi desenvolvida pela empresa para oferecer ganhos de desempenho em relação aos tradicionais óleos RAE (Residual Aromatic Extract) e TDAE (Treated Distillate Aromatic Extract). “O diferencial desse óleo está na melhor interação com estruturas aromáticas presentes nos compostos de borracha, proporcionando uma dispersão mais fina dos ingredientes e resultando em uma mistura mais homogênea”, destacou.
Também foram trazidas informações sobre a Embrapii, que soma mais de 4.000 projetos contratados com cerca e 3.000 empresas, das quais 66% são de pequeno e médio portes. Hoje, a carteira de projetos sendo desenvolvidos totaliza cerca de R$ 8,5 bilhões. A palestra foi ministrada por Túlio Henrique de Oliveira Silva, líder de Programas Prioritários da Embrapii.