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Embrapa desenvolve árvores tricompostas de seringueira

A medida resolve o problema do fungo Microcyclus ulei, causador do mal-das-folhas, que inviabiliza o plantio comercial na Amazônia.

 

Pesquisadores da Embrapa desenvolveram árvores tricompostas de seringueira para resolver um problema que ataca os plantios há quase um século e inviabiliza o plantio comercial na Amazônia.

Por meio de pesquisas que duraram quatro décadas, eles conseguiram realizar cruzamentos entre espécies diferentes de seringueiras e selecionar os melhores clones para formar, por meio de enxertos, as árvores tricompostas que são produtivas e resistentes ao fungo Microcyclus ulei, causador do mal-das-folhas. A doença inviabiliza a expansão de plantios comerciais na região da floresta tropical úmida.

O nome "tricomposta" deve-se ao fato de que três partes da árvore - a base, o tronco e a copa - são formadas a partir de outras plantas de seringueira, combinadas por meio de enxertias.

Para formar o porta-enxerto, base da seringueira, são utilizadas sementes selecionadas de Hevea brasiliensis. O tronco, chamado de ‘painel', vem da enxertia de um clone de outra seringueira dessa mesma espécie, comprovadamente produtiva em látex. Por fim, a copa é oriunda de clone resistente ao mal-das-folhas, resultado de cruzamentos entre seringueiras das espécies Hevea guianensis, Hevea pauciflora e Hevea rigidifolia.

Ao todo, são necessários 25 meses para formar a muda de tricomposta, desde a semente até a fase de plantio. Durante esse tempo, são feitas as duas enxertias, além do manejo necessário para o desenvolvimento da planta.

"Mesmo com um ano a mais para produção dessa muda e custo maior, ela dá o retorno econômico ao longo do tempo porque produz mais cedo e com qualidade", explica o pesquisador Everton Cordeiro, responsável pelas pesquisas com a cultura de seringueira, conhecida como heveicultura, na Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus (AM).

Ele explica que a tricomposta começa a produzir látex a partir de seis anos, um ano mais cedo que as seringueiras convencionais. A produção se estabiliza entre nove e dez anos e o plantio bem manejado pode ser explorado por 30 a 35 anos.

 

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Fonte: Primeira Página com informações da Embrapa.

 

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