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A história da borracha natural

A história da borracha natural

Artigo de Manuel Morato Gomes, do portal da indústria da borracha, conta a história do produto.

 

O primeiro material conhecido como borracha (“caoutchouc” derivado da palavra índia “caa-o-chu”) é o poliisopreno recolhido da seiva da árvore Hevea Brasiliensis, látex, sendo por tal fato conhecido como borracha natural (NR). A borracha natural pode reagir com o enxofre a temperaturas elevadas para formar reticulações, ocorrendo a transformação de um estado pegajoso e fundamentalmente plástico num estado elástico [1].

A borracha natural foi a primeira e única borracha a ser utilizada até 1927, sendo o seu interesse atual não simplesmente histórico, mas sim, devido ao seu potencial técnico. A borracha natural é obtida por coagulação do látex. Os graus de qualidade mais elevados são obtidos através da coagulação por acidificação, sob condições fabris cuidadosamente controladas [2].

A borracha natural comercial tem uma pequena quantidade, 4 a 9%, de outros constituintes [3]. Destes, os mais importantes são os antioxidantes naturais e ativadores de vulcanização representados pelas proteínas e ácidos gordos. Na tabela I indica-se a composição típica da borracha natural, NR.

Quimicamente, a borracha natural é um cis-1,4-poliisopreno, apresentando uma longa cadeia polimérica linear com unidades isoprénicas (C5 H8) repetitivas e com densidade aproximadamente igual a 0,93 a 20 °C [2]. O isopreno é um sinónimo comum do composto químico 2-metil-1,3 butadieno.

Devido à regularidade da sua estrutura, cristaliza a uma temperatura inferior a -20 °C, variando a velocidade de cristalização com a temperatura e com o tipo de borracha. Na estrutura química da borracha natural existe uma ligação dupla por cada unidade de isopreno; estas ligações duplas e os grupos metilo em posição alfa, são grupos reativos para a reação de vulcanização com enxofre, sendo as ligações duplas “um pré-requisito para a vulcanização com enxofre”. Estas ligações duplas podem, no entanto, entrar em reações adicionais com o oxigénio ou o ozono para degradar (envelhecer) os compostos.

Na indústria da borracha, desde que T. Hancock e Charles Goodyear obtiveram em 1843 e 1844 as primeiras placas de borracha natural, muito se avançou. Essas placas representam o começo da produção de artigos de borracha e da formulação de compostos. Na maioria dos casos, os compostos de borracha baseados em borracha natural ou sintética, necessitam de serem vulcanizados com enxofre, peróxidos, óxidos metálicos ou combinações dos mesmos. Outros produtos químicos são também necessários para se obter ou melhorar propriedades físicas, químicas ou térmicas específicas.

 

Classificação da borracha natural (NR)

Podemos classificar a borracha natural em três grandes grupos: graus convencionais, borrachas tecnicamente especificadas (TSR) e borrachas tecnicamente classificadas (TCR) [3].

No primeiro grupo encontramos os denominados “Ribbed Smoke Sheets” (RSS), “Air-Dried Sheets”, “Pale Crepe”, “Sole Crepes” e os “Brown and Blanket Crepes”.

Os graus pertencentes ao segundo grande grupo, TSR, foram introduzidos pela primeira vez no mercado, em 1965, pela Malásia como “Standard Malaysian Rubber” (SMR). Esta adesão pela Malásia à normalização foi posteriormente seguida por outros países produtores tais como a Indonésia com a “Standard Indonesian Rubber” (SIR).

Os graus mais comuns dentro dos TSR são o SMR L de cor muito clara, SMR CV com viscosidade estabilizada, SMR WF similar a SMR L mas de cor mais escura, SMR GP de uso geral mas com viscosidade estabilizada e adequada para uso em pneus, TSR 5 feita de látex usando o mesmo processo de obtenção do SMR L mas sem tratamento com metabissulfito de sódio e TSR10, TSR 20 e TSR 50.

Quanto ao terceiro grupo, TCR, podemos considerar a Borracha Natural Extendida com Óleo (OENR) que contém cerca de 20% a 30% de um óleo de processamento aromático ou nafténico, Borracha Natural Desproteinizada (DPNR), Borrachas de Superior Processamento (SP), Borracha Natural Epoxidada (ENR) e Borracha Natural Termoplástica (TPNR)

Para além dos graus de borracha natural provenientes da Malásia e da Indonésia e classificados de acordo com as especificações do país de origem, SMR e SIR, respectivamente, encontram-se no mercado outros graus, tais como, TTR da Tailândia, SSR de Singapura, NSR da Nigéria, CAM dos Camarões, GHA do Ghana, GAB do Gabão, LIB da Libéria, SPR das Filipinas, PNG CR da Papua Nova Guiné, SLR do Sri Lanka, SVR do Vietname e CSR da China.

Propriedades e aplicações da borracha natural

Os vulcanizados de borracha natural possuem propriedades com valores muito interessantes do ponto de vista tecnológico, especialmente boa resistência à tração combinada com uma boa elasticidade, boa resistência ao calor até 80-90 °C, boa flexibilidade a baixas temperaturas até cerca de -55 °C e excelentes propriedades dinâmicas exibidas durante solicitações cíclicas. Apresenta alta permeabilidade ao gás, resistência limitada ao envelhecimento e ao ozono. Não é resistente a agentes oxidantes como por exemplo o ácido nítrico, a óleos minerais e a hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos.

No entanto, devido à grande proliferação, melhoramento, inovação e especialização das borrachas sintéticas, a borracha natural tem vindo a ser gradualmente substituída, especialmente em peças técnicas com necessidade de resistência ao calor, ao envelhecimento e ao aumento de volume em contato com líquidos. Não obstante, ainda satisfaz cerca de um terço da necessidade mundial de borracha, graças à indústria de pneus.

A borracha natural é bastante usada para a fabricação de apoios de borracha, sendo as principais razões para este êxito as seguintes:

  • Excelente resistência à fadiga e à propagação de fendas;
  • Elevada resiliência;
  • Reduzida histerese;
  • Aderência eficaz aos metais.

 

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Fonte: Primeira Página, com informações do site Rubberpedia.

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